Moda Sustentável + Brasil Eco Fashion Week | Ateliê 2

Moda Sustentável + Brasil Eco Fashion Week

Publicado: 16/12/2019

A nossa assistente de marketing foi à São Paulo participar da 3ª Brasil Eco Fashion Week e conta um pouco do que absorveu das palestras e bate papos.



Talvez muita gente que acompanha as mídias do Ateliê 2 não saibam, mas alguns dos conteúdos que vocês encontram aqui, na newsletter e no nosso instagram é gerado ou coordenado por mim, Isa. Sou assistente de marketing aqui na marca e ajudo a produzir a comunicação digital que temos com vocês, nossos queridos clientes. Hoje, vim aqui no blog no A2, escrever em primeira pessoa para compartilhar um pouco do meu conhecimento sobre Moda sustentável e minha experiência na Brasil Eco Fashion Week, o maior evento de moda sustentável do país.

Em novembro passado tirei férias e me programei para ir à São Paulo para a 3ª BEFW. Era uma experiência que eu queria muito ter, pois já há algum tempo me interesso por aprender mais sobre os impactos que a indústria da moda causa no meio ambiente, quais os pontos mais críticos e as soluções que esta mesma indústria vem buscando e alcançando. Além disso, seria também uma oportunidade de conhecer marcas que já trabalham com esse viés e buscar inspirações nas ideias e soluções que elas já aplicam.

Durante três dias participei de algumas palestras e bate papos, assisti alguns desfiles e visitei stands. Foi uma vivência bem interessante e confirmei o que já sabia: a sustentabilidade não é só uma tendência, é uma necessidade e que vivendo no mundo como ele é hoje - um sistema capitalista em que precisamos do lucro para fazer a roda continuar girando - o comportamento sustentável no consumidor sozinho não vai resolver o problema. É preciso uma atuação conjunta entre consumidores, empresas e poder público. Parece uma equação complicada, e pra ser sincera eu acho que é mesmo.

Provavelmente você já leu por aí muitas dicas de como consumir de forma sustentável e fazer a sua parte enquanto consumidora. Mas o evento focou nos impactos causados não pelo consumidor, mas pela produção de produtos de moda, ou seja, na indústria. E olha, são muitos, viu? Desde a geração de quantidade enormes de resíduos têxteis - sobras de tecidos e aviamento nas fábricas - à poluição do tingimento de tecidos, passando pela produção em alta velocidade que gera grandes excessos de estoque, mão de obra escrava... E aí, eu aprendi algumas coisas importantes que me ajudam muito a avaliar as ações sustentáveis que tenho visto por aí:

1) Quanto maior e mais antiga, mais difícil a mudança.

Quando a marca já nasce com a preocupação em ser sustentável é mais fácil fazer o negócio girar nesse viés. Já quando falamos em empresas que estão há anos operando no sistema obsoleto de lucro em primeiro lugar, mudar toda a engrenagem é custoso e demorado, ainda mais se a empresa for uma grande rede. Mas, ainda assim, é possível fazer;

2) Marca pequena não é sinônimo de slow fashion.

Ser pequeno não é ser sustentável necessariamente. Não é porque sua capacidade produtiva é pequena que sua marca é slow fashion. Ser sustentável tem a ver com escolher ser pequeno. Ainda que você tenha demanda e condições para ampliar sua produção - produzir mais e mais rápido - você ainda assim escolhe fazer com calma.

3) Transparência importa.

Ser aberto sobre como você produz é extremamente importante para que o consumidor tenha total consciência do impacto que gera ao adquirir o seu produto, e apoiar sua forma de produzir. E isso vale para toda a cadeia: o consumidor precisa conhecer a empresa da qual ele compra, e a empresa precisa conhecer os métodos de produção do seu fornecedor e do fornecedor do seu fornecedor.

4) Assuma a sua responsabilidade

A palavra que mais ouvi nesses três dias de palestra foi responsabilidade. Cada um precisa chamar para si a responsabilidade pelas suas atitudes e escolhas. O lixo que a marca produz é responsabilidade dela, e é ela que tem que buscar uma solução para que ele não polua, exemplo: diminuição do desperdício de material  ao máximo, reciclagem do que pode ser reciclado, e o descarte correto do que não pode ser reciclado, além de buscar matéria prima que possa voltar ao ciclo... enfim, cada uma vai buscar e aplicar soluções para o problema que gera. O seu lixo é problema seu, não o empurre para o outro.

5) Não existe perfeição 

É muito difícil ser 100% sustentável, então não dá para ficar paranoico em fazer absolutamente tudo de forma "politicamente correta". A gente precisa fazer o melhor que pode com o que tem, e aos poucos buscar mais recursos para melhorar. Algumas marcas escolhem certas "batalhas" e focam nelas: tem umas que priorizam matéria prima, outras o viés social, a diversidade, empoderamento, outras na atemporalidade do seu produto para diminuição do consumo. O que não dá é para ficar parado sem buscar as suas soluções.

6) Tenha coerência

A atitude sustentável para ser genuína ela precisa ser um processo interno e estar no propósito da marca em evoluir. Não adianta fazer uma linha de camisetas com algodão orgânico, levantar a bandeira do ecologicamente correto e enviar o produto embalado em um monte de plástico, ou produzir em ritmo de fast fashion. Coerência em todo o processo é muito importante.

O que posso dizer a vocês depois dessa imersão de muito aprendizado é que o desafio é grande, tanto para quem compra quanto pra gente que produz. O mundo está mudando e a gente precisa estar atenta para essa nova configuração de sociedade que vem se formando e como a natureza está pedindo por mudanças na nossa relação com ela. O poder público também precisa fazer a sua parte através de políticas públicas e legislação, porque nem todo mundo vai estar disposto a mudar voluntariamente. Mas é justamente frente aos grandes desafios que a gente evolui e para ser sincera, acredito que não há outro caminho a seguir que não seja rever a nossa forma de produzir e consumir.

Espero que esse conteúdo que aprendi e divido com vocês ajude a trazer uma reflexão e uma nova visão para a moda. ;)

Beijos,

Isa  

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